Vou comentar minha passagem pela faculdade o que eu tirei de lição dessa experiência e como tirar o proveito máximo dessa oportunidade. Eu me formei em Engenharia Naval e Oceânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 30 de outubro após 5 anos e meio lá dentro.

Logo da Engenharia Naval / UFRJ

  Um pouco de contexto: Logo que me formei passei por inúmeras entrevistas de emprego onde fui recusado sem nunca saber o porquê, a falta desse feedback é devastadora e por isso montei essa postagem. Esses são só pontos que senti mais importante ao ser entrevistado para uma vaga e nunca foram me passados por nenhum recrutador então leia e veja se faz sentido para você ou não.

   Até hoje, quando um amigo meu se encontra em dúvida de qual caminho seguir eu aconselho que se inscreva em processos seletivos. Isso vai te dar conhecimento sobre as empresas do ramo, sobre quem serão seus colegas, como aqueles profissionais pensam e principalmente o dia a dia do seu cargo. Logo você saberá se aquilo é, ou não, para você.

   Quando fiz entrevista para ser programador de sistemas, só de entrar naquela sala já me deu vontade de sair correndo. Eu e os entrevistadores sabíamos que aquilo não era para mim, mas só descobrimos na hora. Eu ainda tenho essa mania, só aprendo na prática. Minha imaginação corre solta e é difícil imaginar o real cotidiano das profissões, se você é assim também, eu aconselho que se candidate à vagas de emprego da área. Vai aprender no mínimo o que é esperado de você para preencher aquela vaga.

Imagem ilustrando a carreira de consultoria

   Participei de muitos processos seletivos que serviram para eu moldar o que eu achava de mim mesmo e meus desejos. Tive muitas dúvidas de qual caminho seguir, acabei optando por business pois eram os únicos cargos que eu sentia vontade e ânimo de preencher meus dados além fazer o milhonésimo quinto teste de lógica e inglês. Especificamente analista de negócios pois acredito que seja a posição mais adequada em business para um engenheiro ingressar.

   E para alcançar meu objetivo optei por fazer um MBA nos estados unidos. Conversei com ex diretores de empresas de consultoria e com outras pessoas que fizeram o mesmo caminho que eu para chegar à conclusão de se fazer esse mestrado. Agora vamos para as dicas em si.

   As dicas que eu separei são todas visando sair da faculdade com o currículo mais forte possível. O Brasil atravessa um momento delicado em termos de empregabilidade e não foram poucos os meus colegas que mesmo formados engenheiros em uma escola como a da UFRJ ainda continuam desempregados. Se você ainda está na faculdade ou pretende ingressar em uma fique de olho nas dicas para sair de lá com um currículo mais forte possível, pois será necessário:

   Primeiro e mais importante: Se o seu foco é entrar no mercado de trabalho do setor privado e não uma carreira acadêmica, não deixe de fazer um estágio remunerado externo à faculdade, preferencialmente nos últimos 1 a 2 anos para aproveitar a oportunidade de ser efetivado ao completar o curso.

   Esse foi meu erro, como gostava muito de projeto de embarcações e programação fiz uma iniciação científica e meu estágio obrigatório em um laboratório da universidade uma vez que não existe empresa de projeto de embarcações no Brasil.

   Por um lado isso foi bom pois foi esse trabalho e o contato com o professor responsável que abriu as portas de Stevens para mim, porém em termos de conseguir um emprego formal senti nas entrevistas que a falta de uma experiência do tipo pesou na decisão.

   Participe ou funde grupos na faculdade e se possível se torne líder do mesmo. Esse conselho vem em duas partes, o primeiro é participar de grupos da faculdade mas esse em si só faz sentido se for alinhado com a carreira que você deseja, por exemplo, se quer entrar para consultoria, participar de uma empresa júnior na faculdade vai lhe render pontos na hora de conseguir o emprego,

   A segunda parte do conselho se dá por uma percepção minha sobre entrevistas de emprego e seleção para mestrados lá fora, existe uma ênfase muito grande em líderes, a capacidade de trabalhar em grupo e liderar pessoas. Se você conseguir se tornar presidente, capitão ou o equivalente à posição top de algum grupo, vai conseguir também uma boa vantagem nos processos seletivos.

   Esse foi mais um erro meu, achei que ter tido a minha própria empresa contaria mais do que participar desses grupos da faculdade e acabei focando meu tempo na Fina Vanguarda e outras tentativas menores. Em geral, só senti que minha experiência na Fina contou em processos seletivos para empresas relacionadas à e-commerce, para outros empresas senti que a experiência foi legal porém não foi um grande diferenciador. Talvez seja por conta do tamanho da empresa, por ter sido pequena, realmente não sei bem.

   Intercâmbio vale a pena mesmo atrasando a formatura. Eu pessoalmente não fiz intercâmbio, mas se você tiver a oportunidade acho que é uma experiência boa para se colocar no currículo principalmente para que nunca saiu do país. Não acho que seja essencial mas pode ser um extra, todos que eu conheci que foram acharam uma ótima experiência.

   Ao longo da faculdade participei de muitas palestras onde os palestrantes tiraram um ano sabático para conhecer o exterior e voltaram com ofertas de emprego melhores que o cargo que ocupavam antes, até mesmo Tim Ferris do livro “Trabalhe 4 horas por semana” cita esse tipo de experiência como valorosa para você. Se a única coisa que te impede de fazer o estágio é um receio de atrasar a data de formatura, esqueça, caia de cabeça.

   Faça cursos online em plataformas como Coursera, EDX, e afins. Faculdade é um dos momentos em que se mais tem tempo para fazer as coisas e aprender, acho que um grande ponto de acerto meu foi ter iniciado uma série de cursos sobre Data Science enquanto estudava na UFRJ, pois eu tinha tempo para usar e acesso fácil à professores de matérias relacionadas ao meu curso com quem eu podia tirar dúvidas.

   Por exemplo, eu assisti à matérias como ouvinte no instituto de matemática e aprendi bastante sobre estatística e inteligência artificial além de ter acesso à um professor que me ajudou a entender melhor o mundo da ciência de dados e traçar um plano de carreira que fizesse mais sentido para mim.

   Um dos pontos mais importantes em uma entrevista de qualquer gênero é você saber contar sua história e o porquê você tomou suas atitudes. Eu fiz meus cursos de Data Science – e faço até hoje – por que acredito que meu futuro esteja nesse mundo de dados, não como um engenheiro de dados, não como um data scientist puro, mas como um consultor de negócios focado nessa área. Um profissional que une o mundo da engenharia e o mundo da ciência de dados para comunicar as necessidades de um e as possibilidades de outro.

   Relacione-se bem com os professores. Dentro da faculdade, pelo menos na UFRJ, tudo roda em torno dos professores. Eles tem acesso à vagas de emprego, vagas em faculdades no exterior, vagas de iniciação científica, bolsas, e muito mais. Essa foi uma dica, um ponto de acerto meu, que descobri por acaso. Quando estava no meu quinto período, eu estava tão desmotivado que iria largar a faculdade.

   Foi aí que tive uma aula com um professor convidado e ele mencionou que tinha uma vaga de iniciação científica em projeto, vi que poucos se interessaram e resolvi aproveitar a oportunidade e dar essa última chance à faculdade. Acabei por trabalhar 3 anos com esse professor e desenvolver uma grande amizade com ele.

   Até hoje tenho contato com ele pelo WhatsApp, essa relação me rendeu ótimas experiências de trabalho com projeto de embarcações e culminou na abertura das portas de Stevens Institute para mim.

  

   ATENÇÃO: Não me refiro à fazer amizades mentirosas e sim realmente desenvolver laços com a faculdade e o corpo docente. Os professores já estão cansados de lidar com alunos aproveitadores e caso tente não será nem o primeiro nem o último à tentar tirar proveito…

   Formar em 5 anos é legal, mas não é tudo. Muita gente se preocupa com atrasar conclusão da faculdade, mas não senti muito peso nisso quando fiz minhas entrevistas. Claro, contanto que tenha uma motivo, se você trancou a faculdade para curtir férias talvez isso não caia muito bem no currículo, suas ações tem que ser baseadas em um motivo real. Contanto que você tenha atrasado sua formatura por alguma razão que melhore seu currículo não haverá problemas.

   Conheço pessoas que atrasaram a formatura por conta de intercâmbio, competições de equipes, estágio e no meu caso atrasei um semestre por conta da Fina Vanguarda. Nenhum desses motivos nunca foi problema nem para mim nem para meus conhecidos na hora de se buscar um emprego.

   Faça um Linkedin. É bom para achar vagas e se candidatar, mas principalmente para você saber quem vai te entrevistar. Em TODAS as minhas entrevistas, meu Linkedin foi visitado uns 15 minutos antes pelas pessoas que iriam conduzir as mesmas então eu sabia quem iria falar comigo.

   Não subestime o esse poder, sabendo que vai te entrevistar você pode adaptar seu discurso e se preparar para dar o seu melhor.

 

 

 

   Foram 7 dicas extensas, baseadas na minha história. Não quero dar receita de bolo para ninguém, apenas quis enumerar os pontos que senti serem os meus mais fortes e os mais fracos durante as entrevistas de emprego e para mestrado lá fora para que você possa se preparar melhor que eu. Até mais.

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