Logo da Fina Vanguarda

   Fina Vanguarda foi a primeira vez que uma ideia deu em alguma coisa. Foi meu maior aprendizado até hoje, onde pude sentir na prática as dificuldades de se ter um negócio e fazê-lo crescer.  A Fina, apelidada carinhosamente até hoje, era uma loja de jóias feitas com materiais alternativos como madeira e resina em conjunto com materiais clássicos como prata e pedras preciosas. Até hoje o Instagram da marca existe como uma maneira de relembrar a experiência e ilustrar o nosso trabalho (@finavanguarda).

   Na Fina, éramos 4 pessoas no total: Eu, minha esposa e dois amigos. Fizemos tudo com as próprias mãos pois tudo que tínhamos para oferecer era o nosso próprio trabalho. De longe nossa maior dificuldade foi a falta de dinheiro para fazer as coisas acontecerem como compra de equipamentos,  participação em feiras e compra de estoque.

Anel Scala

   A empresa durou quase dois anos e foi a maior experiência de aprendizado no campo de gestão e empreendedorismo que eu já tive. Senti na pele o que era ser um exército de um homem só. Por mais que fossemos 4 pessoas, cada um com sua área designada, éramos inexperientes e aprendemos muito com a mão na massa.

   Um pouco de contexto sobre a criação da empresa: Nessa época estava estudando bastante o empreendedorismo e gestão, lia muitos livros e assistia muitos vídeos na internet sobre técnicas de vendas e afins. A Fina nasceu da necessidade de se por em prática a teoria e aprender com a experiência para consolidar aprendizados importantes.

Colares Secto mini, Spin e Secto

   O que eu aprendi ou desenvolvi com essa iniciativa:

  • Montar sites com as plataformas Wix e WordPress (o que me rende uns trabalhos de Freelance até hoje)
  • Mexer no e Google Analytics, Adwords, Trends e Facebook Ads
  • Organização do site com técnicas de psicologia de vendas
  • Aplicação de psicologia das cores
  • Utilização de ferramentas elétricas de marcenaria
  • Impressão 3D
  • Organização da Produção
  • Cálculo de custo unitário de cada produto
  • Precificação dos produtos
  • Gestão de pessoas
  • Planejamento estratégico
  • Gestão de projeto

Colar Duo

   Quais lições tiramos dessa iniciativa:

  • Aprendemos a importância do capital inicial e capital de giro em uma empresa e como é difícil vender um produto como o nosso sem um bom investimento em marketing e no processo produtivo. Como tudo era feito à mão o custo de produção era alto e isso levava a um preço alto a ser cobrado pelo produto. Sem uma boa campanha de marketing abrangente não fomos capazes de criar uma marca forte para dar suporte ao preço mais elevado.
  • A importância de se fazer um estudo prévio de mercado antes de se lançar um produto. Nós começamos a produzir essas peças pois vimos que haviam lojas extrangeiras fazendo sucesso com produtos similares, porém não estudamos se esse produto seria próspero aqui no mercado brasileiro. Percebemos um desejo no mercado brasileiro muito maior pelas bijuterias compradas em quantidade do que por um produto como o nosso.
  • A importância da escalabilidade do produto principalmente com um capital baixo. Nosso produto era caro de se produzir e principalmente trabalhoso eu passava um dia inteiro para conseguir produzir poucas peças o que me proporcionava muito pouca flexibilidade no preço e principalmente muita dificuldade em reagir à uma oportunidade. Para participar de uma feira como a Babilonia Feira Hype (o que nos poderia proporcionar uma grande visibilidade) eu teria que produzir 3 meses seguidos apenas para esse evento. Não tinha dinheiro para financiar uma grande compra de estoque terceirizando a produção e nem como bancar uma oficina com empregados para manter a produção. Vale lembrar que além dos problemas supra citados eu ainda lidava com a gestão da empresa e a gestão de tempo ficou bem difícil.
  • Como lidar com as cobranças de trabalho e lidar com outras pessoas no ambiente de trabalho sabendo cobrar e ser cobrado sem corroer as relações evitando um ambiente tóxico para o trabalho.
  • Abrir mão do ego de ser o controlador da empresa em troca de investimentos. Quando comecei não busquei nenhum tipo de investimento pois não queria abrir mão do controle da empresa para um agente externo e por isso acabamos falindo. Eu acreditava que as vendas aumentariam e o problema financeiro seria sanado. Hoje já não tenho esse pudor pois entendo que é necessário um capital expressivo para alavancar uma empresa.

   Essa experiência me foi muito válida, falir faz parte do sucesso. Quando o sonho acabou conduzimos um grande processo de auto avaliação para tentar isolar as causas de ter dado errado e levantar os pontos positivos da empreitada. Resumi nesse Post as nossas conclusões e nossas maiores dificuldades, espero que meus erros sirvam de aprendizado para você.

 

Renderização de um colar na fase de projeto

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