Neste post vou contar um pouco sobre como começou minha vontade de empreender e meu gosto pela administração de empresas.

   Durante meu ensino médio eu não fazia ideia do que gostaria de fazer da vida – é muito cedo para decidir e, pior, não temos informações suficientes sobre a prática real das profissões, apenas visões românticas do que seria um médico, um advogado ou um engenheiro.

   Iludido pela ideia ingênua do que seria a profissão de médico, decidi fazer medicina no vestibular. Nunca senti um apreço grande pelas matérias de biologia ou química, mas, confiante de que aquilo seira apenas um meio para chegar à tão sonhada escola de medicina, estudei essas matérias em turmas especializadas, visando a aprovação no vestibular. Ao todo, foram 2 anos de curso pré-vestibular, além do meu ensino médio, até finalmente passar.

   Passei para Engenharia Naval na UFRJ.

   Confuso? Eu não estava mais. Lembra o que falei das ideias ingênuas sobre as profissões na prática? Conseguir enxergar além delas foi essencial para essa manobra ao final da minha trajetória como vestibulando. Ao longo desse tempo, busquei mais conhecimento sobre o que realmente significava ter um diploma em medicina e o dia-a-dia da profissão e, quanto mais eu conhecia, mais eu percebia que aquele não era o meu perfil. O toque final nessa mudança de paradigma foi a proximidade com um colega de curso, que acabou passando antes de mim para a faculdade e me abriu os olhos. Fui conhecer a universidade e os alunos, e pude conhecer a coisa toda na prática, o que finalmente me fez perceber que eu não me encaixava naquela realidade.

Photo by Ivan Aleksic on Unsplash

   As matérias pelas quais eu mais me interessava na escola eram matemática e física, então, em cima da hora, o caminho mais natural seria tentar Engenharia. Por isso, no último dia do meu SISU, retirei minha candidatura de Medicina e direcionei à Engenharia Naval. Escolhi essa engenharia pois ela tinha boa reputação na época e eu possuía conhecidos que estavam muito bem colocados no mercado, além daquela filosofia de que “engenheiro é engenheiro, um mestrado e você muda tudo”. Ou seja, escolher uma engenharia, qualquer que fosse, me daria mais tempo para pensar em qual seira minha vocação real.

  Acho que foi justamente o fato de gostar de fazer as coisas com minhas próprias mãos e desenvolver projetos e estratégias para solução de problemas (pontos característicos e também atividades da profissão de engenheiro) que deram base ao meu amor pelo empreendedorismo. Ao longo da faculdade, senti que estava muito melhor direcionado nesse novo sentido da minha vida do que se tivesse seguido no caminho da medicina e, quanto a isso, não há arrependimentos. Porém, ainda existia uma certa sensação de “vazio” dentro de mim: eu gostava da engenharia, mas não era exatamente aquilo o que eu gostaria de fazer para o resto da minha vida.

   Descobri minha vocação por sorte. Um dia, conversando com um amigo de infância que cursava Engenharia de Produção, também na UFRJ, acabamos tocando no assunto de dinheiro, aposentadoria, investimentos e tudo o mais (dinheiro é um assunto relativamente comum na escola de engenharia; muito alunos têm contas em corretoras e operam na bolsa de valores, tentando achar um jeito de fazer dinheiro). Então, esse amigo indicou uma lista de livros que, por sua vez, foram indicados a ele por uma personalidade bem conhecida no “universo” UFRJ, principalmente no evento chamado Semana Fluxo, promovida pela Empresa Jr. da UFRJ (a Fluxo), durante a qual diversas personalidades realizam palestras ao longo da semana. O responsável por indicar a lista de livros era Pedrinho Salomão, fundador da Rádio Ibiza.

Logo da Rádio Ibiza

   O primeiro livro dessa lista era o famoso “Pai Rico, Pai Pobre”. Independente das questões com o autor que circulam pela internet, o livro é realmente muito bom. Até hoje, quando alguém me pergunta por onde começar, eu o recomendo. É o livro ideal para quem é novato na área, como eu era à época. Depois de ler esse livro, eu tinha certeza de uma coisa nessa vida: eu tinha nascido para ter minha empresa e tomar as rédeas do meu futuro.

Fluxo Consultoria

   Certo tempo depois da conversa com meu amigo, aconteceu uma edição da Semana Fluxo na UFRJ e um dos palestrantes convidados era justamente o Pedrinho Salomão. Eu não o conhecia, mas enxerguei na palestra uma oportunidade de ter a chance de conversar com alguém de carne e osso, ao vivo, sobre a realidade da gestão de empresas. Ao fim da palestra, Pedro divulgou seu e-mail e eu, prontamente, anotei.

   Aliás, antes de prosseguir, fica a dica: se você tiver a oportunidade de assistir a uma palestra dele, ASSISTA. Vale muito à pena.

Palestra Pedrinho Salomão

   Seguindo com a história, refleti em casa sobre o que tinha visto na palestra e, maravilhado por esse novo mundo, escrevi uma carta ao Pedro, relatando toda minha história e minha vontade de conversar pessoalmente com ele. Nunca em minha vida eu imaginei que seria respondido, afinal, palestrantes em geral têm vidas ocupadas e, geralmente, a única oportunidade de falar com eles é “caçá-los” na saída do palco. Porém, para a minha surpresa, fui respondido e marquei uma hora na empresa dele para batermos um papo!

   Depois da reunião com Pedrinho, já não havia mais dúvidas sobre minha vocação. Eu pertencia ao mundo dos negócios. Por mais que eu fosse tímido, um arquétipo contrário ao imaginário do empresário falastrão, o mundo dos negócios era onde eu me sentia vivo, onde me sentia completo. É esse sentimento que me impulsiona a combater a timidez, aprender técnicas de negociação e correr atrás de diversos livros e cursos na área.

   Essa é a origem do meu gosto por empreender, descoberto por acaso. É a paixão pela liberdade, trabalho duro, estratégia, projetos, análises, tomada de decisão e muito o mais. Hoje, conheço meu perfil generalista, gosto mais de aprender sobre diversos assunto do que me aprofundar em um único assunto durante toda minha vida. Nada de errado com nenhuma das duas opções – mas eu sei qual delas é minha vocação.

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